sexta-feira, 26 de maio de 2017

Eleva: Jorge Paulo Lemann quer criar a melhor escola do Brasil.

 (Foto: Mauricio Planel)
Depois de muita expectativa e disputa por uma vaga, finalmente vai ser inaugurado o projeto de ensino que é a maior aposta de Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do Brasil, na área da educação.


Não natural quanto pensar que o filho recém-nascido é ou foi mais bonito e inteligente que os outros bebês, prepará-lo para ser uma pessoa de sucesso faz parte do modus operandi de todos os pais. A analogia é ainda mais verdadeira quando se trata de famílias bem-sucedidas. Afinal, quem não quer ter um filho vencedor?


O pernambucano Amaral Cunha, 47 anos, sabe como poucos lidar com esse tipo de ansiedade. Médico de formação, ele cuida há quase 20 anos da educação de filhos de grandes empresários (Marcel Telles, sócio da Ambev, por exemplo), executivos e diplomatas brasileiros e estrangeiros. Todos voltados para o mesmo objetivo: que seus filhos ingressem nas melhores universidades do mundo.


Graças a essa experiência, segundo Cunha, foi mais fácil encarar uma entrevista de emprego com o homem mais rico do Brasil, o carioca Jorge Paulo Lemann. “Foram 40 minutos de conversa por Skype. As perguntas foram muito sobre os desafios e como eu pretendia lidar com eles. A primeira resposta recebida é que teria de quebrar alguns paradigmas, principalmente na formação da equipe”, lembra.

Numa apresentação recente, Lemann lembrou-se da infância no Rio e de pontos que considera essenciais para seu sucesso. “A minha educação carioca contribuiu para que eu continuasse um eterno otimista. E conheço mais otimistas bem-sucedidos do que pessimistas”, brincou, ao falar dos anos 1940 e 1950, quando estudou na Escola Americana. Ali, disse, o ambiente livre gerava a oportunidade dos alunos serem criativos e se virarem por conta própria, qualidades que foram fundamentais em seu futuro como empreendedor. Criatividade e liberdade para assumir riscos e tomar decisões são algumas das palavras-chave propagadas pelos idealizadores da Escola Eleva.



Escola Eleva, de Jorge Paulo Lemann (Foto: Divulgação)Lemann é um dos investidores da já badalada Escola Eleva. Localizada no prédio que abrigou a Casa Daros, em Botafogo, no Rio de Janeiro, a instituição começou suas atividades no último dia 14 de fevereiro. Os 370 alunos (cada um pagando R$ 3.900 por mês) aprovados em um rigoroso processo seletivo (até 2020 a previsão é ter mil estudantes) serão a primeira turma do mais recente projeto na área da educação de Lemann, o mesmo homem que já declarou sonhar em formar um presidente da República em alguma de suas iniciativas na área. Muitos dos alunos da Eleva são oriundos de colégios tradicionais, como o Santo Agostinho e o Corcovado.



Para quem achava que a participação de Lemann era, sobretudo, como investidor, a entrevista com Amaral é um sinal de quão próximo ele está do projeto. Mas ele não é o único. “Falo com ele semanalmente, também nos encontramos pessoalmente com frequência. Ele abre uma série de contatos muito interessantes”, conta Duda Falcão, CEO da Eleva. “A própria oportunidade de fazer [a escola] na Casa Daros foi uma intermediação que Lemann fez com a Suíça”, diz ao explicar a transação entre a Eleva e a fundação Daros, com sede em Zurique e que até o fim de 2015  administrava um museu no local, que seria transformado na escola.

A relação de Lemann com a executiva começou em 2010, quando Duda lançou o fundo de investimentos Gera. “Desde o início, o objetivo foi dar retorno aos investidores e impactar de forma positiva a educação no Brasil. Só investimos em educação. E o Jorge Paulo participou desde o começo”, lembra. Três anos após a criação do Gera, nascia o grupo Eleva Educação, hoje dono de quatro redes de escolas que somam mais de 65 mil alunos e 1,5 mil 


O MÉTODO DE ENSINO
Baseada na concepção que mais do que valorizar a preparação de um estudante para o vestibular, busca capacitá-lo para o mundo do trabalho, a instituição irá incorporar uma série de conceitos consagrados em escolas americanas. Muitos deles remetem ao que prega James Heckman, Prêmio Nobel de Economia e talvez a principal referência internacional em educação. Heckman argumenta, por exemplo, que um ótimo desempenho acadêmico não é suficiente para o sucesso no mercado de trabalho e que a escola também deve ensinar questões socioemocionais (não cognitivas), como cooperação e consciência profissional.


Para conseguir tal objetivo, escolas de ponta e algumas iniciativas do setor público no Brasil têm adotado disciplinas eletivas, como design thinking, apresentação em público, pensamento crítico, negociação, programação, entre outras. Os cursos são sempre em tempo integral. Além disso, mesclam aulas do modelo tradicional – em que o professor ensina os alunos como se fosse uma palestra – com outro, em formato de grupos. “A ideia é que o estudante participe mais e construa a aula com o professor”, diz Duda.



Na prática, os resultados obtidos por estudantes que passam por colégios focados em questões socioemocionais vêm sendo bem acima das expectativas, mesmo no ensino público. Segundo a especialista em ensino médio e competências socioemocionais do Instituto Ayrton Senna, Simone André, o desenvolvimento dessas competências é tão ou mais importante do que a capacitação técnica do aluno. “Trata-se de uma visão de construir a ponte com o mundo do trabalho e de formar um cidadão. Mais do que apenas prepará-lo para uma profissão”, explica.



A consequência também é direta do ponto de vista cognitivo, ou seja, nas disciplinas tradicionais. Prova disso, diz ela, é que os estudantes do ensino médio do colégio estadual Chico Anysio, no Rio, desde 2012 educados com o método de ensino do Instituto Ayrton Senna, têm apresentado resultados bastante significativos na comparação com os demais estudantes da rede. “Esses adolescentes atingiram níveis educacionais muitas vezes superiores aos de alunos de escolas particulares. E, certamente, muito acima dos estudantes de escolas públicas comuns”, afirma.

 CONSTRUINDO UM FUTURO BRILHANTE

Os pais que matricularam os filhos para a primeira turma da Eleva ou que estão na fila de espera do ano que vem (já são cerca de três mil estudantes aguardando uma vaga) têm se encantado também com a quantidade de profissionais reverenciados pelo mercado que fazem parte do projeto. Alguns dos professores, muitos deles estrangeiros, serão treinados pela badalada Universidade Stanford, da Califórnia, a principal formadora de jovens empreendedores do Vale do Silício.
Na área esportiva, a escola terá parcerias com o clube de futebol Barcelona, o técnico da seleção brasileira de vôlei, Bernardinho, jiu-jítsu com Leão Teixeira e balé com o grupo Dalal Achcar.




Some isso ao nome de Lemann e à possibilidade de se habilitar para ingressar em universidades do mundo inteiro sem a necessidade de adaptação curricular. Amaral, o médico de 47 anos que foi contratado para ser o diretor da Eleva, é hoje um dos grandes especialistas em escolas internacionais no Brasil.



Seu trabalho à frente da escola The Graded, em São Paulo, da qual Lemann também é grande apoiador, resultou na adaptação do currículo não só para universidades estrangeiras, como também para brasileiras. Quem se forma lá pode candidatar-se apenas com o histórico escolar (o chamado Bacharelado Internacional ou IB, na sigla em inglês) para estudar em Harvard ou na Faculdade de Economia da USP. “Isso ajuda a preparar o aluno para a vida e não só para o vestibular”, diz Amaral.




Fonte:Gq.globo.com

segunda-feira, 1 de maio de 2017

'Do lixo ao luxo'

28/12/2016 11h52 - Atualizado em 28/12/2016 11h55

Artesão usa materiais recicláveis para recriar ambientes: 'Do lixo ao luxo'

Ricardo Poso, de Boa Esperança do Sul (SP), produz maquetes há 15 anos.
Peças ricas em detalhes são inspiradas em viagens e no sossego do interior.


Thayná Cunha*
Do G1 São Carlos e Araraquara
Artesão está criando nova miniatura com inspiração em mercearias (Foto: Hugo Braga/Arquivo Pessoal)Transformar materiais recicláveis em belas miniaturas. Esse é o trabalho de Ricardo Poso, morador de Boa Esperança do Sul (SP) que reaproveita itens descartados para criar mercearias, oficinas e até mesmo cidades inteiras. "Do lixo ao luxo", define o artesão
Na tarefa, ele usa madeira, placas de computadores queimadas, peças de joalheria e papel. Depois de quatro semanas, os materiais começam a ganhar contornos e se transformam, por exemplo, na miniatura na maquete "Saloon", inspirada no Velho Oeste norte-americano.

Miniatura de Ricardo Poso é baseada no Velho
Oeste  (Foto: Ricardo Poso/Arquivo Pessoal)
“Essa é a minha preferida, seguida pela das mercearias", confessou Poso, que usa MDF para fazer as paredes e trabalha com pinturas, massas e texturas para dar às construções o ar envelhecido.  "Depois coloco as coisas dentro. Com as placas eu faço latinhas, panelinhas, potes de açúcar e todas as miniaturas que vão compor minha obra, dependendo do tema pedido”.
De acordo com o artesão, as peças demoram entre sete e 15 dias para ficarem prontas e têm custo médio de R$ 300, com iluminação instalada.
“É tudo do lixo ao luxo, da simplicidade à riqueza dos detalhes. Tenho minhas criações e também faço réplicas, tudo de acordo com o tema pedido. Isso é a minha vida, é o que me faz bem e é minha profissão”, afirmou.
Artesão está criando nova miniatura com inspiração em mercearias (Foto: Hugo Braga/Arquivo Pessoal)


Sonho
O artesão de 42 anos contou ao G1 que precisou interromper os estudos no 1º ano do Ensino Médio, mas o sonho de se formar em arquitetura permaneceu e, há 15 anos, começou a fazer as maquetes em sua cidade natal, Campos do Jordão. Hoje, vive de sua criações.
“Eu sempre gostei da arte e sempre valorizei trabalhos manuais. Gosto muito da arquitetura das cidades históricas e resolvi retratar esse amor em miniaturas", disse.
"Minha admiração é mesmo pela simplicidade das casinhas da roça, cheias de histórias para contar, aquele lance bem caipira, de sossego e fartura que nenhum dinheiro pode comprar”.
Para criar, ele se inspira em histórias antigas e nas viagens que faz, principalmente, a cidades históricas do Rio de Janeiro, de onde surgem suas maiores inspirações.
Artesão criou miniatura de oficina de cliente  (Foto: Ricardo Poso/Arquivo Pessoal)
Artesão criou miniatura de oficina de cliente 
(Foto: Ricardo Poso/Arquivo Pessoal)
“Tem um coisa que sempre digo quando me perguntam de onde vem toda a admiração por essas cidades: às vezes, entre quatro paredes e um fogão à lenha existem pessoas mais felizes do que a gente pode imaginar, e é isso que eu pretendo passar com a minha arte".
Exterior
O artista relatou que ao longo dos anos passou por dificuldades financeiras, mas não abriu mão de trabalhar com aquilo de que tanto gosta. “Meu maior medo é não poder fazer mais os meus trabalhos, passar para a madeira tudo que está dentro da minha cabeça".

"Essa é a minha vida, é o que eu gosto de fazer, esse amor pelo artesanato é o que tem de mais precioso em mim, e bota amor nisso”, brincou.
Artesão tira ideias de viagens que faz através do país (Foto: Ricardo Poso/Arquivo Pessoal)
Artesão tira ideias de viagens que faz pelo
país (Foto: Ricardo Poso/Arquivo Pessoal)
Poso também contou que recebeu convites para morar em outros países, mas recusou por não ter conhecimento de outras línguas, e espera um dia poder contar com o mesmo reconhecimento que teria lá fora aqui no Brasil. Para ele, falta incentivo ao artesanato no país. “Tenho muitos clientes que moram fora do país e o tratamento é diferente. Eles veem a gente como artista, têm prazer de apresentar para os amigos, falando dos nossos trabalhos e tudo, é outro tipo de valor”, comentou.
* Sob a supervisão de Stefhanie Piovezan, do G1 São Carlos e Araraquara
Ricardo Poso tem maquetes expostas pelo país inteiro (Foto: Ricardo Poso/Arquivo Pessoal)Ricardo Poso tem maquetes expostas em diferentes pontos do país (Foto: Ricardo Poso/Arquivo Pessoal)

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